O que é bom

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Dizem que a gente se acostuma com o que é bom e é verdade. O problema é que nem todo mundo entende que o que é bom para você pode não ser bom para muita gente.

Bom para mim é ter tudo que preciso perto de casa. E não preciso de muita coisa: lojas que vendam linhas e aviamentos, agência dos Correios, restaurantes, supermercados, rodoviária e bancos. Tudo isso vejo do janelão da minha sala, do alto do 7º andar.

Bom para mim é ter comida boa a preço justo (meu prato no buffet a quilo sai em média por 5 reais, morram de inveja). Aqui não tem essa modinha de comida gourmet disso, comida gourmet daquilo. Aqui é comida de verdade. E boa, muito boa.

Bom para mim é poder dar minhas voltas e fazer compras de bicicleta sem correr o risco de ser atropelada. Aqui se tem uma bicicleta na preferencial os carros param e esperam. Para ajudar, as ruas são largas, o trânsito é tranquilo e tem estacionamento de bicicletas em todos os lugares.

Bom para mim é poder chegar nos lugares e puxar assunto. Aqui as pessoas pelo menos não aparentam estarem estressadas e adoram conversar. Sem contar que todo mundo se cumprimenta e não é raro alguém parar na esquina, te abanar e seguir em frente. Detalhe: você nunca viu essa pessoa antes.  Outro dia um senhor de uns 80 anos, todo vestido em jeans, de cabelo com gel disfarçando a careca me olhou na entrada do supermercado e disse: “Boa tarde menina! Que a tua semana e a dos teus familiares seja iluminada.” Falou isso, abriu um sorriso e subiu na sua bicicleta. Eu, encantada, agradeci e desejei o mesmo. Nem sei o que gostei mais, de ser chamada de menina ou do desejo de semana iluminada.

Minha mãe não entende porque não quero voltar a morar em Porto Alegre. É por essas coisas e porque me acostumei o que é bom.

Obs.: a foto que ilustra o post foi tirada hoje no parque da cidade. Sempre que posso e o tempo ajuda (andou chovendo muito nos últimos dias), pego Paris, minha bike, e vou até o parque para passear.

De cortar o coração

Sempre que alguém perde o pai, me corta o coração. Isso acontece depois que perdi o meu. Inclusive a primeira versão desse blog parou depois da perda. Não se foi só meu pai, foi embora toda a inspiração. Depois, o pouco que voltou, dediquei ao crochê.

Essa introdução é para contar que hoje assisti esse vídeo, feito pelo Renato Cabral, que fala sobre a perda do pai, e meu coração cortou de novo. Mas vale a pena assistir, é muito bonito. Conselho: antes de dar o play, pegue um lenço.

Para ver mais filmes do Renato Cabral, clique aqui: www.oruminante.com.br.

Paixão por fazer um mundo de crochê

Paixão por Fazer - Raquel Medeiros

Tem gente que encara o trabalho como um casamento indiano: o amor vem com o tempo. Passam os anos, o amor não chega e a pessoa aguenta até se aposentar para fazer o que curte. Deixa a paixão de lado para ter uma vida tranquila e sem graça abraçada com seu indiano. Não culpo essas pessoas, não é fácil encarar a paixão. Ela é meio bandida, nunca é o que esperam da gente. Pelo menos foi assim comigo. Queriam que eu fosse advogada (fui e não era a minha praia) e que tivesse dado certo nos empregos tradicionais pelos quais passei. Mas faltava paixão. Precisava encontrar algo que envolvesse criatividade e que fosse diferente do que já existia no mercado. Foi então que eu resolvi investir no crochê, uma técnica vista por muita gente como coisa de vovó, mas que eu gostava desde criança. “Tu acha que vai viver dessas coisinhas que faz?“, ouvi uma vez de uma pessoa bem próxima. Que pena, essa pessoa não sabe que quando a gente trabalha com paixão, o que começa pequeno vai crescendo e pode ficar bem grande. Passo os dias criando e crochetando monstros, bonecos, bichos e tudo que puder ser desenhado com linha. Vivo em mundo colorido onde um gato de crochê tem fãs até no Kuwait (é sério!), cupcakes não engordam e um bebê pode ser um Mestre Yoda. Além de ser divertido, tenho o prazer de receber e-mails de clientes felizes, que mandam fotos usando os produtos que faço. Tem como não se apaixonar?!

#paixaoporfazer #rbs

Você é o que te faz feliz

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No domingo passado li uma crônica da Martha Medeiros na Zero Hora com o título “O que você vai ser quando crescer“. No texto ela fala que nossa vida se resume a trabalho. Quando nos perguntam o que somos, a resposta é: dentista, médico, advogado ou outras profissões. Nunca as pessoas respondem o que realmente são ou o que gostam.

Você não é o que você faz para ganhar dinheiro, você é o que você faz para ser feliz.

E foi então que lembrei de uma matéria que vi sobre um senhor de 70 anos que após a aposentadoria passou a se dedicar a fazer objetos decorativos usando rolhas de vinho. Fiquei com pena dele. Poxa, esperar se aposentar para poder fazer aquilo que gosta!

Quando era criança meu sonho era ser empacotadora de presentes no supermercado perto da minha casa. Achava lindo mexer com aqueles papéis coloridos e ver a alegria das pessoas que esperavam o pacote. Minha boneca preferida, a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, foi comprada nesse supermercado e minha mãe fez questão de pedir que empacotassem para eu ter o prazer de abrir um presente quando chegasse em casa.

Com o tempo, veio aquela imposição de ter que escolher uma profissão tradicional e eu, não sei porque, escolhi Direito. Advoguei por vários anos, até gostava do trabalho, mas sempre mantinha uma atividade paralela, seja ligada à moda ou ao artesanato. Enfim, precisava de algo criativo para ser feliz. Depois de largar o Direito e passear pela moda e pelo mundo da publicidade, me dei conta de que o que eu gostava mesmo era de fazer crochê. Coisa de gente velha para alguns, trabalho mal remunerado para outros. Foi difícil as pessoas entenderem que era isso que eu queria como trabalho. Tive que começar a ganhar dinheiro para acreditarem em mim.  Meu trabalho é um prazer e eu criei um mundo de crochê onde brinco todos os dias. Crio personagens que outro dia me disseram que eles já eram praticamente humanos. E antes de ler esse texto da Martha Medeiros, escrevi minha descrição aqui no blog quando resolvi reativá-lo:

Adoro crochetar, mas também curto escrever. Para algumas coisas sou uma criança de 10 anos, para outras, uma senhora de 80. Converso com animais, gosto de tudo que é pop, amo reality shows e tomaria uma cerveja com Latino.

Mas como diz minha amiga Laurina, agora que crochê é meu trabalho, preciso de um hobby. E já decidi que quero aprender biscuit (porcelana fria), só preciso comprar materiais e aprender como fazer (o Youtube está aí para isso).

Para quem ficou curioso pelo texto que deu origem a esse post, encontrei aqui: http://avaranda.blogspot.com.br/2013/08/o-que-voce-vai-ser-quando-crescer.html. A Zero Hora, onde foi publicado, não disponibilizou no site, uma pena.

 

Não sei quem é e não vai acrescentar nada na minha vida. Oi?

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Às vezes enquanto estou crochetando fico vendo vídeos do Youtube no tablet. Como não posso prestar muito atenção, escolho o que tem mais fala e menos imagem, como o programa da Marília Gabriela. E escolho sempre gente que não conheço direito ou já ouvi falar e não sei direito quem é. O mais legal é que Gabi mostra que subcelebridades podem ter uma história de vida bem interessante. Ao contrário de algumas pessoas que conheço e que para serem vistas como cultas dizem desconhecer quem está em alta no mundo do entretenimento. Fulana de tal, não conheço e tenho certeza de que não estou perdendo nada, é o que essas pessoas dizem. Mas Marília Gabriela, que é uma jornalista séria e respeitada, mostra que todo mundo tem algo para contar. Ela trata com respeito seus convidados e sempre consegue ver o lado bom deles, tanto chega a dar conselhos durante a entrevista. E foi assim que soube mais sobre a MC Beyoncé, a funkeira que não pode ir à escola porque é muito assediada e que está sem voz de tanto show que faz (cuida da sua voz, disse Marília Gabriela). Soube mais sobre a Andressa Urach, a Vice-Miss Bumbum que hoje está na Fazenda fazendo barraco sem parar, nem parece a guria que nasceu aqui no Sul, sustenta a família e que ainda não sabe como usar a imagem a seu favor. Hoje assisti a entrevista da Anitta, uma menina madura que sempre buscou o sucesso e agora tem que segurar as pontas com a superexposição e com a falta de tempo para dormir. “Você é um poço de vida”, disse Gabi para a cantora ao acabar a entrevista. Isso prova que todo mundo tem uma história para contar. E somente tem cultura quem está aberto a novas pessoas e experiências.

Sem Photoshop

“Não sei se peço para emagrecer ou se quero que você fique assim”, disse Rick Bonadio a uma candidata do Fábrica de Estrelas, reality show do Multishow que mostra a criação de uma girlband. Rick já tinha feito o mesmo com o Rouge, que fez sucesso, mas durou pouco.

Depois de muitos testes, foram escolhidas as cinco meninas que fariam parte do o grupo Girls. Nome comum, óbvio, mas as pessoas gostam daquilo que elas já conhecem, então ok. Entre as girls está a Nathy, a gordinha para quem Rick disse a frase acima. Depois da C&A brincando de recortar e colar com a Preta Gil, apostar em uma menina acima do peso para ser uma it girl é fantástico. Rick Bonadio, além de gato, é fofo.

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Mas o mais bacana é que, em tempos de mulheres de pernas secas como se fossem de crianças, todas as meninas são coxudas, mesmo as magrinhas. E no clipe da música Monkey See Monkey Do, que assisti hoje no programa, elas estão com um short de cintura alta bem colado e colorido. E Nathy está lá, linda, com seu short laranja.

Na entrevista que o grupo fez no programa Agora é Tarde, Nathy disse que antes de se candidatar no reality, emagreceu 11 quilos. Depois que foi uma das selecionadas, a meta era ganhar resistência para dançar e cantar. Certamente ela vai emagrecer mais, mas não deve secar. Aliás, nenhuma deve secar porque estão ótimas assim.

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E a música? Pra mim, que gosto de pop, adorei. Boa para dançar, fácil de cantar.

Você deve estar dizendo que é tudo criado e montado nos mínimos detalhe, uma jogada de marketing. Mas vamos combinar que é um trabalho bem feito. Se vai durar a gente não sabe, ainda mais quando junta muita mulher, mas torço que sim. Até porque Rick Bonadio é um gato.